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Dê um brinquedo novo para uma criança e observe qual é sua primeira reação. Ao invés de brincar, muitas preferem desmontar, remontar, experimentar, investigar, não é mesmo? O impulso de tentar entender como tudo funciona é próprio da curiosidade infantil em uma fase da vida na qual o que ela mais deseja é descobrir o mundo, indagar os porquês e despertar seu potencial criativo.


Mas a criança cresce, vai pra escola e, ao invés de ser convidada a explorar, é forçada a engessar seu aprendizado em disciplinas que não se integram, não têm aplicações práticas e não engajam o aluno. Ao contrário, fazem do estudo um sacrifício, uma chatice, um esforço insensato que em nada irá contribuir na construção do seu futuro.


Para avançar nesta direção, as escolas brasileiras precisam não perder mais tempo e dar passos firmes e rápidos na revisão de suas metodologias visando implementar programas de aprendizagem multidisciplinar baseada em projetos focados especialmente no ensino científico ou, como preferem alguns pedagogos, nas disciplinas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).


Ao invés de atividades teóricas e de exercícios repetitivos que servem apenas para robotizar o aprendizado rumo ao vestibular, os estudantes alcançam melhores resultados quando são desafiados a colocar as mãos na massa para criar, planejar, desenvolver e implementar projetos que possam, de fato, impactar a comunidade em que vivem, seu bairro, sua cidade, quiçá seu País e o mundo.


As grandes potências mundiais, como os Estados Unidos e o Japão, sempre investiram na formação de profissionais com capacidade de pesquisar, projetar e inventar soluções que se tornaram indispensáveis em nossas vidas em áreas como engenharia, biotecnologia, biomecânica, astrofísica, ciência da computação, física nuclear, engenharia espacial e nanotecnologia, apenas para citar algumas que continuarão demandando profissionais com o avanço das novas tecnologias e a evolução de um mundo que há poucas décadas só existia em filmes de ficção científica.


E então, educadores? Vamos buscar melhorar nossa competitividade global ou continuaremos insistindo na ignorância de proibir nossas crianças de explorar seus brinquedos?

 
(Por Luciana Allan, diretora do Instituto Crescer)

EDUCAÇÃO "STEM"

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